sábado, 15 de agosto de 2020

VISITA A KEROMAN 3 - LORIENT

Olá amigos do Blog. Estava em Quimperlé, uma pequena e graciosa vila medieval na região da Bretanha, França. Havia mergulhado no naufrágio do U 171, submarino alemão que afundara ao topar com uma mina ao largo da Ilha de Groix. Foi emocionante explorar os destroços a 42 m e ver, entre outros, um torpedo e o periscópio do U Boat.

 Era convidado do amigo e conhecido mergulhador francês Jean-Louis Maurette; estava morando na casa dele e isto foi muito bom. Ele me levou a Brest para conhecer o Musée National de La Marine, notável instituição de memória que ocupa um castelo. Lá está toda a história marítima da França e, além de um acervo primoroso, pude ver um submarino-de-bolso alemão conhecido como Seehund e outro nada convencional, o Neger. Em Brest também havia uma grande base de U Boats; vimos a distância pois era área militar da Marinha francesa e não foi possível entrar. Na manhã seguinte fomos até Lorient conhecer a famosa base de submarinos de Keroman, sede da 2ª Flotilha de Submarinos. Impressionante! Na verdade ali estão 3 grandes abrigos blindados, os principais, erguidos pelos alemães para proteger os U Boats das bombas Aliadas. São conhecidos como Keroman 1, 2 e 3. O último, o 3, foi construído em 1943 e nele tudo é colossal. Tem uma área de 24.000 m², mede 138 m de comprimento, 170 m de largura e 20 m de altura. O teto é uma blindagem de concreto com 7,40 m de espessura, resistente às mais pesadas bombas aéreas. A estrutura tem várias “garagens”, docas inundadas que abrigam 13 submarinos. Lembram do início do filme Das Boot? Pois é, igual. Paga-se uma entrada e logo os turistas se agrupam ao redor da guia. Na zona de reunião há um submarino francês em terra, convencional, classe Daphné, o Flore. Ele encanta os visitantes. 
Com a guia na frente, iniciamos nosso tour. Lembrei que estas bases na costa oeste francesa tinham enorme importância para o sucesso das operações dos U Boats no Atlântico. Entramos no bunker. Há portas blindadas de aço, escadas, suportes, salas, coisas que estão ali a mais de 75 anos. A água penetra em cada box e é fácil imaginar um U Boat atracado no cais. Tudo é História, está por toda a parte. A guia só falava francês e procurei sair do grupo e explorar por conta própria. Caminhando pelo teto, não vi nenhum dano ou marca de bombas, somente 3 torres de flak. Estavam sem as armas. Subi em uma delas. Pelo tamanho da base talvez fosse para um canhão de 20 mm em montagem quádrupla, tinha um campo de tiro excelente, tanto no ar como na superfície. 

Lembrei que dali tinha suspendido o U 507, um U Boat Tipo IX B que afundou 5 navios brasileiros em agosto de 42, empurrando o Brasil para a II Guerra Mundial. Terminamos nossa visita a Keroman 3 conhecendo a Villa Kerillon, casa onde a partir de Set 1940, serviu como QG do Almirante Doenitz por 17 meses, e um antigo pub, o Bar Le Margaret, local onde se reuniam os comandantes dos U Boats. Tomamos uma cerveja por lá sentindo todo o clima da Batalha do Atlântico. “Atacar, atacar! Avante, eia ao inimigo, ponham-no a pique! Navegamos contra a Inglaterra!” Que história!


   Com Jean-Louis Maurette e Hugues Priol no Musée National de La Marine


       Uma das salas de exposição do Musée National de La Marine




                   Um dos bunkers do complexo de Keroman 3


 
                                           Abrigo principal de Keroman 3




      Submarino alemão Seehund, valiosa peça do acervo do Musée            National de La Marine


    Submarino convencional classe Daphné, o Flore, no trilho que         puxava os U Boats para o seco


                     Interior de um dos boxes em Keroman 3



Abrigava dois U Boats flutuando



           Com Jean-Louis Maurette em frente ao bunker principal de     Keroman 3



               Nossa guia aguarda atenta junto a uma porta blindada



  No teto de Keroman 3


                               Lembram do filme Das Boot? Pois é, igual



                                          Torres de flak no teto de Keroman 3




Interior de uma torre de flak. Ao fundo, a saída para o mar



                             Baixa-mar em Loriant



                  Villa Kerillon, o QG do almirante Doenitz


 

Brindando Keroman 3 no Bar Le Margaret com o amigo francês Jean-Louis Maurette, Lorient

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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