quarta-feira, 12 de agosto de 2020

NAVEGANDO NO NIPPON MARU II PARA PELELIU

 

Olá amigos do Blog. Estava em Palau, pequeno país insular da Micronésia, com 460 km² de superfície e formado por 8 ilhas principais. Durante a II Guerra Mundi Olá amigos do Blog. Estava em Palau, pequeno país insular da Micronésia, com 460 km² de superfície e formado por 8 ilhas principais. Durante a II Guerra Mundial, fora uma importante base logística-operacional japonesa.

Havia al, fora uma importante base logística-operacional japonesa.

Havia encerrado uma sequência de mergulhos em naufrágios de navios japoneses, sempre com apoio impecável da operadora Fish´n Fins. Desta forma, visitara os Navio dos Capacetes, Iro, Amatsu Maru, Chuyo Maru, Nagisan Maru, Gozan Maru e outros mais. Até um hidroavião japonês Aichi E1 3A Jake e um bombardeiro americano B-24. Que aventura!

Queria mais. Planejei então ir até a ilha de Peleliu, local a sudoeste de Palau e onde havia acontecido uma feroz batalha, talvez uma das mais sangrentas da Guerra no Pacífico. Os americanos acreditavam que iram conquistar a ilha em 4 dias, levaram mais de 2 meses. Tiveram que exterminar um por um todos os soldados do fanático e aguerrido Cel Kunio Nakagawa.

Para chegar a Peleliu deveria pegar o ferry, o Nippon Maru II, uma embarcação com cerca de 26 m, que partia de um cais na ilha Malakal. O Nippon atracou no cais com  3 horas de atraso e foi tomado de assalto por uma multidão de micronésios que quase me levaram de arrasto para bordo. Parecia que fugiam dos japoneses há 74 anos atrás. Observei o capitão, um tipo possante, de aspecto desmazelado, com cara de pirata chinês do século XVIII. Era cheio de autoridade. Só  faltava o sabre e a pistola enfiados na cintura.

Sentei a boreste, no costado junto ao cais, local onde tentava embarcar um senhor com mais de 70 anos totalmente embriagado. Tinha tomado todas. Trocava as pernas titubeante, e rodopiava entre o concreto e o costado do ferry. Poderia cair na fenda entre o casco e o cais e morrer esmagado. Não deu outra! Droga! Peguei-o pelo braço no momento exato da queda e foi direto para o convés. Mole e anestesiado, não se machucou, agradecendo com um bafo medonho e indo deitar em um banco perto da popa onde dormiu de imediato.

Era quase noite quando zarpamos. Fazia um calor delicioso e pude observar um crepúsculo avermelhado no Pacífico de rara beleza. Logo se fez noite e senti que o Nippon navegava muito rápido. Bem, o pirata chinês devia saber o que fazia. Conhecia de cor esta rota, pensei.

-- Rooooffff bruuummmmm!!! O ferry vibrou de proa a popa em um estrépito pavoroso. Um solavanco de dar medo.

Maldição, batemos em alguma coisa! E de imediato começou uma gritaria entre os passageiros, algumas crianças e mulheres chorando. Somente o ancião bêbado estava bem, dormia a sono solto. Roncando de boca aberta, lá na popa. Lembrei do Príncipe de Astúrias, navio espanhol que afundou em 1916 ao largo de Ilhabela. Um pavoroso naufrágio.

Durante 15 minutos a tripulação do ferry manobrou a embarcação para escapar do enrosco de coral. Toda a força à frente, toda a força à ré. Achei que o casco não iria resistir ao coral afiado, mas nos safamos.

Chegamos no porto de Peleliu tarde da noite. Foi um alívio. No que o ferry encostou, o bêbado acordou e vendo o nervosismo dos passageiros, veio perguntar para mim o que havia acontecido. Que história!

Este relato está completo no capítulo 5 do livro De Guadalcanal a Creta. Reserve o seu exemplar pelo e-mail ulissess18@yahoo.com.br

                                  A llha Peleliu ficava a sudoeste em Palau



                                                      Mapa do desembarque americano



                           O Nippon Maru II no cais da ilha Malakal, Palau

 

 

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

0 comentários:

Postar um comentário