sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A PISTA DE DECOLAGEM DE SABURO SAKAI EM RABAUL

Olá amigos do Blog. Estava há uma semana em Rabaul, Papua-Nova Guiné, principal porto da ilha da Nova Bretanha e base japonesa durante a II Guerra Mundial. Na verdade, ele, o porto, ocupava a margem de uma enorme caldeira alagada de um vulcão, águas calmas, protegidas e profundas conhecida como Simpson Harbor. Rabaul possuía uma importante posição estratégica no sudoeste do Pacífico, detalhe que provocou uma constante chuva de bombas americanas.

Com o apoio eficiente da Kabaira Dive, operadora de mergulho sediada em Rabaul. havia já mergulhado nos naufrágios de um hidroavião biplano Mitsubishi F1M Pete, em três caças Zero e mais alguns cargueiros japoneses. Fizera ainda um detalhado tour em terra, oportunidade em que conheci o memorial do Montevideo Maru, navio lotado de prisioneiros australianos que foi torpedeado pelo submarino americano USS Sturgeon, museus militares, o Bunker de Yamamoto e os restos de dois bombardeiros japoneses, possivelmente um Betty e um Sally.

Mas tinha mais. Saburo Sakai foi o maior ás japonês que sobreviveu a II Guerra Mundial, com  200 combates e 64 vitórias aéreas. No seu eletrizante livro Samurai, ele descreve o período  que passou em Rabaul.

Ah, com a paciência dos guias, eu queria achar a pista de decolagem  que Sakai e seu grupo de caça, utilizaram em 1942. Isto era História.

Munido de mapas, fotos, livros e a descrição de Sakai, rodamos com a van da Kabaira por diversos locais para localizar a tal pista. A descrição abaixo foi fundamental e está no livro do piloto japonês:

“Rabaul parecia arrancada das profundezas do próprio inferno. Havia uma estreita e poeirenta pista, que iria servir ao nosso grupo. Era a pior pista que eu já tinha visto em qualquer lugar. Imediatamente atrás desta pista miserável, um vulcão medonho subia 700 pés para o alto. A cada poucos minutos, o chão tremia e o vulcão gemia profundamente, e então arremessava algumas pedras e uma grossa fumaça sufocante”.

Então encontramos! Caminhei pela pista de Sakai. Pedregosa, cheia de cinzas pretas e ao fundo, vi o tal vulcão. Um cheiro intenso de enxofre. Pensei em tudo que tinha acontecido ali. Uma emoção muito forte. Que história!

Este relato completo está no livro De Guadalcanal a Creta.

Foto aérea de Rabaul, Simpson Harbor e o vulcão.
Bombardeiro B-25 rasa a superfície de Simpson Harbor após atacar navio japonês.
Biplano Mitsubishi F1M Pete.
Caça Zero sobre fundo de areia, a 30 m de profundidade.

Flap aberto a 45° de um Zero emborcado.
Cockpit de um caça Zero a somente 4 m de profundidade.
O guia Steven mostra os destroços de um bombardeiro japonês na orla da selva.
Fotografando os destroços, possivelmente um bombardeiro Sally.
Memorial do Montevídeo Maru.
Pista de pouso de Sakai, com o vulcão ao fundo.
Com os eficientes guias da Kabaira Dive.

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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