quarta-feira, 29 de julho de 2020

O CAPACETE M 40 DE STALINGRADO


Olá amigos do Blog. Estava em Volgogrado, antiga cidade de Stalin ou...Stalingrado. Para alguns autores, local onde ocorreu a mais terrível batalha da história da Humanidade e o ponto de inflexão do desenlace da II Guerra Mundial. Havia embarcado em Moscou, num velhusco e meio comunista trem. Foram 20 horas de viagem através de uma planície interminável, monótona, colossal. Lembrei do livro de Otto Skorzeny onde ele descreve a alma russa: “...é profunda, variável e espantosa. Exatamente igual às suas imensas estepes, aos seus gigantescos rios, às inclemências do seu clima e a angustiante visão das suas paisagens.”
Fui recebido na estação pelo meu amigo Marcílio Dias, Suboficial da Reserva da FAB e sua esposa russa Inga. Ambos moravam na cidade e foram prestimosos guias durante o período que fiquei por lá. Visitamos diversos museus, sítios históricos, monumentos e memoriais. Graças a eles, molhei minhas mãos no Volga, caminhei pela terra parda e plana onde manobrou o 4º Exército Panzer e combateu em 1942, o 6º Exército de Paulus. Uma imersão total, emocionante e extraordinária na História.
Mas buscava um “gran finale”. Queria um capacete de aço alemão, um icônico Stahlhelm, uma apreciada relíquia de guerra. O Marcílio me levou a um mercado. Havia de tudo ali. De peças de trator a caviar. Vi em uma gaiola um coelho gigantesco, como o coelho do conto As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. O pobre animal ocupava toda a gaiola. Para ser simpático, elogiei o coelho para o vendedor, um tipo possante, cabelo cortado à máquina, muito curto e com cara de vilão de filme do 007.
- É para comer! Respondeu ele com um resmungo.
O meu guia, muito esperto e fluente em russo, descobriu logo uma barraca onde poderia conseguir o capacete. Não tinha, mas o barraqueiro, um garimpeiro de campo de batalha, prometeu trazer um capacete no dia seguinte, o quê de fato ocorreu. Paguei 700 Rublos pela relíquia. Era um capacete de aço M 40, enferrujado, ainda com restos da tinta verde, pedaços de couro da carneira e um punhado da terra negra de Stalingrado. Hoje este capacete é a principal e mais valiosa peça da minha coleção. Que história!

Esta jornada completa está no livro U Boats.


Capacete alemão M 40


cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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