domingo, 31 de maio de 2020

NAUFRÁGIO DE UM DAUNTLESS EM VANUATU


Olá amigos do Blog. Vimos em matéria anterior que Vanuatu, ou República da Vanuatu, é um estado insular da Melanésia, formado por 80 ilhas. Olhando a imensidão do Pacífico no mapa, nota-se este arquipélago ao sudoeste de Guadalcanal. Pois foi na sua principal ilha, Espiritu Santo (é com "u" mesmo), que a partir de 1942, os americanos instalaram uma importante base logística/operacional.

Estava lá, em companhia da minha dupla, Beh Valerio e, com o apoio da operadora Santo Island Dive, realizamos uma série de mergulhos em naufrágios da II Guerra Mundial. Um deles foi nos destroços de um bombardeiro Douglas SBD Dauntless, avião que se tornou o carrasco dos porta-aviões japoneses na Batalha de Midway, em Jun 42. O Dauntless era um bombardeiro de mergulho, armado com duas metralhadoras .50 fixas na capota e atirando através da hélice e capaz de transportar até 1.000 kg de bombas. Como armamento defensivo dispunha de duas metralhadoras .30, operadas por um artilheiro de cauda. A Douglas fabricou de 1940 a 1944, cerca de 5.900 Dauntless.
O naufrágio estava ao largo da Ilha Aore, bem perto da praia. Nosso guia foi o Alfredo, e ele não sabia como aquela aeronave havia parado ali, apenas disse que o naufrágio estava desmantelado por que uma embarcação tinha fundeado bem em cima. A âncora havia destruído o avião, uma pena.
Partimos da praia e logo o fundo do mar desceu para 25 m de forma nada suave. Havia uma correnteza muito forte e desconfortável. E, devido a proximidade da praia, a visibilidade era pobre. Logo vimos o avião. Um ossuário de alumínio e aço, confuso, inextricável. Eu sabia que o Dauntless era um bombardeiro de mergulho e este tipo de aeronave tinha freios aerodinâmicos de mergulho, estruturas planas e com dezenas de buracos regulares. Lá estavam elas, nas asas, duas em cada bordo de fuga. Minha nossa, era um Dauntless!
Ali ainda permaneciam o motor radial, Wright R-1820-60 de 1200 hp, a hélice, o leme, a blindagem do assento do piloto e cartuchos de .50 das metralhadoras Browning. Imaginei a missão desse tipo de avião e de sua singular importância na Guerra no Pacífico. Saburo Sakai fala em seu livro que, pilotando um Zero sobre as Ilhas Salomão, fora atacado por um corajoso Dauntless.
A temperatura da água era de 28 °C e já com 20 minutos de tempo de fundo, realizamos a parada de segurança. Para tanto, agarrados ao coral da rampa submarina. Que história!



Um avião elegante mas também robusto

Armamento defensivo: metralhadoras Browning .30 com escudo

Conferindo os freios aerodinâmicos

O leme do bombardeiro

Acervo do National Museum of the USAF: os freios em vermelho

Fuselagem do Dauntless

Cartuchos das metralhadoras .50, fixas na capota, atirando entre a hélice

A cauda do bombardeiro

Munição .50 ainda encintada

Os freios nas asas

Junto a hélice do motor Wright

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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