sexta-feira, 10 de abril de 2020

U 1105 BLACK PANTHER


Olá amigos do Blog. Que tal uma história insólita? Um submarino alemão afundado em um rio americano? Seria possível? Pois eu estava em uma pequena localidade chamada Tall Timbers, Maryland, EUA. Junto comigo dois notáveis mergulhadores, caçadores de naufrágios ligados ao Institute of Maritime History (IMH), David Howe e Raymond Hayes e uma pequena embarcação de apoio, o Roper. Iriamos mergulhar no naufrágio do U 1105, o Black Panther. Este submarino alemão era um U Boat Tipo VII C/41. Tinha o casco todo revestido por uma camada de borracha sintética destinada a absorver, atenuar ou desviar as ondas sonoras/eletromagnéticas do Asdic e do Radar Aliado. Incrível, uma tecnologia Stealth em 1944. Devido a sua cor cinza, quase negra da borracha, ganhou o apelido de Black Panther.

Pois no dia 27 Abr 45, o U 1105, patrulhando determinada área do Mar do Norte, avistou três fragatas britânicas. Manobrando sempre submerso, disparou dois torpedos G7e Zaunkönig, temíveis engenhos que seguem até o alvo atraídos pelo ruído dos hélices e mergulhou para as profundezas, pousando no leito marinho a 172 m. Os dois G7e acertaram a popa da fragata HMS Redmil de 1.300 t e 93 m de comprimento, arrancando um pedaço de 18 m e matando 32 tripulantes. Milagrosamente o navio não afundou, sendo rebocado para terra onde foi constatada perda total. O Black Panther foi então caçado por 31 horas consecutivas mas escapou. Seria devido a sua furtividade? Ao que parece, por mais inverossímil que possa ser, a cobertura de borracha iludiu os Asdic dos navios ingleses e salvou o U Boat. Que coisa!
Com o fim da II Guerra Mundial, o submarino rendeu-se no dia 11 Mai 45 em uma base da Royal Navy no norte da Escócia. Em 1946, o Black Panther foi presenteado para os americanos e exaustivamente estudado pela US Navy, sendo objeto de inúmeros testes acústicos e avaliações. . Em 1948, novos testes afundaram o U Boat na baia de Chesapeak onde permaneceu até o ano seguinte quando foi posto a flutuar e rebocado até Piney Point, rio Potomac, Mariland. Em 1949, uma nova avaliação com carga de profundidade, mandou o submarino para o fundo lamacento do rio, a 28 m e ali ele ficaria esquecido por 36 anos. Foi somente em 1985 que uma equipe de mergulhadores liderados por Uwe Lovas, encontrou o Black Panther. Que história!



O meu U 1105 lá em casa. Um kit Revell na escala 1/72

Torre escalonada com generoso armamento AAe, canhão de 37 mm e canhões de 20 mm. O snorkel está erguido

Proa afilada, com as duas escotilhas dos tubos lança-torpedos  fechadas

Uma popa elegante, com os lemes de direção, de profundidade e os dois hélices

Carta náutica com a posição do naufrágio do U 1105 assinalada


Desenho que ia pintado na torre do U 1105

O Roper, nossa embarcação de apoio pronto para zarpar na marina de Tall Timbers. A bordo David Howe (e) e Raymond Hayes 

David no comando do Roper

A caminho do naufrágio do Black Panther

A boia na superfície, assinala o naufrágio

Raymond verificando o equipamento

David sobe a bandeira que indica uma operação com mergulhadores no local

Preparando para o primeiro mergulho do dia

Pronto para entrar na água do Potomac

Retornando do mergulho no U 1105

Agora é a minha vez

Descendo pelo cabo da boia



Um mergulho memorável


cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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