quarta-feira, 29 de abril de 2020

A CATÁSTROFE DO ENCOURAÇADO HMS VANGUARD


Olá amigos do Blog. Ontem, terça, foi a minha Live com a Maresbrasil. Infelizmente tive alguns entraves técnicos com o sinal aqui em casa e algumas partes da entrevista ficaram truncadas. Mas sem problemas, voltei agora para as nossas Histórias Curtas.

Estava em Scapa Flow e, entre outros, queria mergulhar e explorar o naufrágio do encouraçado HMS Vanguard, Era uma história sinistra mas fascinante. Para o meu desalento, fui proibido pelas autoridades de Stromness. O Vanguard era um triste túmulo de guerra. Minha nossa!
Ele era um encouraçado veterano da Batalha da Jutlândia, com quase 20.000 t de deslocamento, 152 m de proa a popa e armado com 10 canhões de 305 mm. Na noite de 09 Jul 17, às 23h 20min, quando fundeado em Scapa Flow, ocorreu calamitosa explosão de um dos seus paióis, naufragando rapidamente e levando consigo 804 tripulantes. Foi tão catastrófica a explosão que somente 17 corpos foram resgatados. Três homens sobreviveram a tragédia sendo que um deles veio a falecer alguns dias mais tarde. Centenas de destroços afiados choveram sobre os navios ancorados na baia. Uma de suas torres, pesando 400 t, caiu em um campo na Ilha Flotta. Estava a bordo e morreu também, o capitão Kyosuke Eto, adido naval da Marinha Imperial japonesa. Até hoje não se sabe a causa do desastre. Sabotagem? Ataque a torpedos? Incêndio que começou no paiol da artilharia secundária? Ou ainda detonação instantânea da cordite, fato que ocorreu em 1906 com o nosso encouraçado MB Aquidabã, na Baía de Jacuecanga?
Eu sabia que o que sobrou do infeliz encouraçado estava a 34 m, assinalado na superfície por uma boia preta e amarela e que um bom pedaço da sua popa estava ainda preservado. Uma pena mas respeitei a proibição. Sem mergulho na água gelada, me contentei em visitar o memorial do Vanguard no Cemitério Naval de Lyness. Que história!


O HMS Vanguard em cartão postal da época

Casinhola no Cemitério  Naval de Lyness. No seu interior está um livro-presença

Notícia do naufrágio em jornal

Um local silencioso, solene e que nos mostra a indecência da guerra

A boia que assinala a tumba do HMS Vanguard

Memorial do Vanguard

Sepultura do marinheiro Gamble

O encouraçado está a pouco mais de 30 m de profundidade e é proibido mergulhar no local

Sempre tem alguém para lembrar o naufrágio

Entrada do Cemitério Naval de Lyness

Sepultura do marinheiro Duque, morto no Vanguard aos 31 anos

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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