segunda-feira, 2 de março de 2020

O TIGRE REAL DE LA GLEIZE - BÉLGICA




Olá amigos do Blog. Na cidadezinha de La Gleize, a cerca de 45 km a SE de Liége, Bélgica, se encontra, poderoso e ainda sinistro, um tanque Tigre II, também conhecido como Tigre Real. Permanece na frente do December 44 Museum - Battle of the Bulge, primoroso museu da batalha, e é o único Tigre do mundo que ocupa o seu lugar de combate, há 75 anos. Em 1945 ele foi trocado por uma garrafa de conhaque. Soldados americanos que faziam a limpeza da região, foram convencidos por uma dona de casa a deixarem o Tigre ali como um monumento. Para tanto, ela pagou com o conhaque. Já comentei esta história aqui no Face mas retorno a pedido de um amigo que quer saber mais sobre o Tigre de La Gleize.
Era um engenho colossal. Pesava quase 70 t, estava armado com um canhão de 88 mm capaz de perfurar 132 mm de blindagem a 2.000 m. A armadura frontal em ângulo do casco tinha 150 mm e a da torre, 180 mm. Um motor Maybach HL de 12 cilindros e 700 hp, produzia a velocidade fora de estrada de 19 km/h. Nada que os Aliados dispunham poderia igualar tamanho poder de fogo e proteção. Os alemães fabricaram 487 destes engenhos formidáveis, muito pouco para em 1944 mudar o destino da guerra terrestre.
Junto com as fotos do Tigre II de La Gleize, coloquei as imagens do meu King Tiger na escala 1/35, kit da Tamiya e um dos principais modelos da minha coleção de blindados alemães. Ele está sem as saias laterais que na realidade eram blindagens espaçadas contra foguetes de bazookas e recoberto com Zimmerit, uma espécie de cimento antimagnético que vinha de fábrica e destinava-se a impedir a aderência de minas ou cargas explosivas. Que história!



Trocado por uma garrafa de conhaque e hoje um extraordinário memorial

A roda dentada motriz, a blindagem espaçada e as rodas de apoio e rolamento

Lagartas generosas para distribuir as quase 70 t no terreno

Junção e solda entre a blindagem frontal (150 mm) e a lateral do casco (80 mm)

Projétil antitanque Aliado ainda cravado na blindagem

Outra cicatriz do campo de batalha na blindagem frontal

Os escapamentos do motor Maybach HL de 700 hp na traseira do Tigre

O poderoso Tigre II está na frente do museu December 44


Fogo de metralhadora na lateral

O Tigre II em 1945, avariado e sem combustível

O Tigre II em novembro de 2019, na frente do museu, restaurado, conservado e respeitado

O meu Tigre II na escala 1/35

Um kit simples da Tamiya

O longo tubo do canhão 88 mm  com 71 calibres de comprimento, capaz de perfurar uma blindagem de aço de 132 mm a 2.000 m


cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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