segunda-feira, 30 de março de 2020

FORT TRUMBULL


Olá amigos. Que dureza este tempo de quarentena, não é? Vamos tornar menos enfadonho este período colocando mais algumas histórias curtas aqui nesse espaço. Espero que gostem.

Eu estava em New London, Connecticut, EUA. O objetivo era mergulhar e explorar o naufrágio do U 853, submarino alemão Tipo IX C/40, afundado em combate nas últimas horas (ou horas depois) do fim da II Guerra Mundial ao largo de Block Island. Uma história trágica. O meu guia era um mergulhador americano chamado Gary e me alojou em uma velha lancha abandonada no cais. Inesquecível.
Como tinha três dias livres antes do mergulho, fui vistar alguns lugares interessantes nesta antiga cidade de caçadores de baleias. Um deles foi o Fort Trumbull, construído em 1777 e reformado de 1839 a 1852. Esta fortaleza foi tomada pelos ingleses durante a Guerra Revolucionaria americana; durante a Guerra Civil abrigou um centro de reorganização de tropas da União e sede do 14º Regimento de Infantaria Na II Guerra Mundial sediou uma escola para oficiais da Marinha Mercante e por fim, em 2000, virou um belíssimo parque estadual. Mas o motivo desta matéria é comentar um monumento que está dentro das muralhas da fortaleza. Trata-se de um canhão de alma lisa, possivelmente calibre de 10 pol e carregamento antecarga.
Acontece que a arma tem uma guarnição na escala 1/1 que está em plena operação de carregamento e os atarefados artilheiros são figuras em bronze (ou seria algum tipo de resina?), perfeitos nas expressões de esforço, tensão, vibração e força, como que o metal quente fosse derramado sobre os soldados. É impressionante e isto vale a pena mostrar para vocês. Que história!
















quarta-feira, 25 de março de 2020

MONTEVIDEO MARU - A HISTÓRIA DE UMA TRAGÉDIA


Olá amigos do Blog. Estava em Rabaul, Papua-Nova Guiné. Já havia encerrado os mergulhos nos naufrágios da Baía Simpson e agora, com o guia Steven, fui conhecer o memorial do Montevideo Maru. Na verdade eram somente duas rochas engastadas em um embasamento de tijolos de concreto e placas de bronze. Algo muito simples para lembrar a pior catástrofe marítima da Austrália.

O Montevideo Maru era um cargueiro japonês com 130 m de comprimento, deslocando perto 7.260 t e lançado ao mar em 1926 como um navio de passageiros da companhia Osaka Shosen Kaisha. Com o início da Guerra no Pacífico foi requisitado pela Marinha Imperial como transporte de tropas e carga.
Após a queda de Rabaul para os japoneses, o navio seguiu viajem para a ilha chinesa de Hainan abarrotado de prisioneiros australianos. No caminho, ao largo do litoral norte das Filipinas, foi avistado e seguido pelo submarino americano USS Sturgeon. Na madrugada de 01 Jul 42, o Sturgeon manobrou para uma posição favorável de tiro e lançou quatro torpedos dos seus tubos de proa. O infeliz Montevideo Maru foi alcançado por dois torpedos e afundou em 11 minutos. Houve muito pouco tempo para evacuar toda aquela gente das cobertas inferiores. Morreram no naufrágio, 1.054 prisioneiros, militares e civis. Que história terrível.




O Montevideo Maru, um belo navio nas suas 7.260 t de deslocamento

O submarino da US Navy,  USS Sturgeon

O memorial bastante simples em Rabaul

quarta-feira, 18 de março de 2020

STURMGESCHÜTZ III G NA ESCALA 1/35




Olá amigos do Blog. Estava em casa, em Porto Alegre e dediquei algum tempo à minha coleção de blindados alemães. São cerca de 50 tanques, canhões de assalto, obuseiros autopropulsados, carros blindados e outros. Todos na escala 1/35 e ocupam organizadamente dois armários envidraçados no meu escritório. São kits de marcas conhecidas como Tamiya, Dragon, Italeri, etc, montados com escassa habilidade mas com muita dedicação.

Um dos meus favoritos é o Sturmgeschütz III G, inicialmente um canhão de assalto para apoio da Infantaria e mais tarde um voraz caçador de tanques. Pesava 23,9 t e era armado com um canhão KwK 40 L/48 de 75 mm de alta velocidade (790 m/s) e uma metralhadora de 7,92 mm. Não era um tanque pois não tinha torre giratória. Era baseado no chassis do Panzer III e no lugar da torre tinha uma estrutura em forma de casamata. O movimento lateral do canhão era bastante limitado e obrigava o blindado e manobrar para à direita ou para à esquerda quando apontava a arma. Mesmo assim era um veículo mecanicamente confiável, silencioso, de perfil muito baixo (media somente 2.15 m de altura), com uma blindagem frontal de 80 mm, barato e fácil de produzir. Excelente para a guerra defensiva na qual os alemães estavam atolados a partir de 1943. Possivelmente foi o blindado fabricado em maior número pela Alemanha durante a II Guerra Mundial. Alguns autores dão como um total de 10.500 Sturmgeschütz que saíram das fábricas para os campos de batalha: dos confins da Rússia a Europa Ocidental, da África do Norte a Itália. E foi por aí que este caçador revelou talentosos ases como Hugo Primozic, Horst Naumann e Georg Max Bose, todos Cruz do Cavaleiro. Estes comandantes destruíram centenas de tanques inimigos. Um feito extraordinário. Que história!


Frente Russa 1943: o táxi do infante. (Foto do Squadron/Signal Plublications Armour no.14)

Soldados húngaros sobre um StuG III na Rússia, 1943. ( Alamy - Foto do Squadron/Signal Publications Armour no.14)

Padrões de camuflagem utilizados na Frente Russa. (Don Greer - Desenhos da Squadron/Signal Publications Armour no.14)

O StuG III visto pela retaguarda. As placas da blindagem lateral de 5 mm, era chamadas de Schürzen

Tonel de 200 l vazio, tronco para desatolar, estojos de 75 mm, corrente, cabo de reboque, balde e jerry cans

Estas placas laterias eram blindagens espaçadas destinadas a fazer detonar prematuramente foguetes e granadas antitanque

À direita  da casamata, junto a segunda escotilha, está uma metralhadora MG 34 de 7,92 mm e um capacete de aço M-38 de paraquedista

Sobre o compartimento do motor Maybach HL 120, (gasolina) estão duas rodas adicionais

O StuG III perdeu uma das placas laterias. As que ainda estão no lugar apresentam lama, deformações e furos de projéteis. Isto era comum no campo de batalha

O poderoso canhão KwK 40 L/48 75 mm de alta velocidade. O StuG III empaiolava 54 granadas deste canhão no seu  interior

StuG III em exposição no The Tank Museum, Bovington

sábado, 14 de março de 2020

CEMITÉRIO DE AVIÕES EM RABAUL


Olá amigos o Blog. O assunto Malta ainda não esgotou. Há uma dúzia de histórias na reserva, prontas para colocar nesse espaço. Contudo, com a ideia de não tornar aqui uma sequência monótona, vamos sair do Mediterrâneo e seguiremos para o Pacífico. É fácil no teclado.
Estava em Rabaul, Papua-Nova Guiné, uma antiga e importante base logística-operacional japonesa.
Rabaul era exclusiva. A rigor, tinha sido planejada e construída pelos alemães. Com o advento da I Guerra Mundial, os australianos tomaram conta. Em 23 Jan 42 foi invadida pelos japoneses. Era uma notável posição estratégica no SO do Pacífico, com o seu excelente porto natural, Simpson Harbour, de águas calmas e profundas, que na realidade era uma caldeira alagada de um sinistro vulcão. Logo os japas construíram aeródromos, depósitos, paióis, alojamentos, abrigos, estação de radar, centro de comando, etc. Em 1943, já havia em Rabaul  e adjacências, uma guarnição de cerca de 110.000 soldados, fuzileiros navais, marinheiros, pilotos, técnicos e operários.
Tudo isto atraiu a aviação americana e Rabaul recebeu cerca de 20.000 t de bombas. Uma verdadeira chuva.

Havia feito contato prévio com a Kabaira Dive, uma operadora de mergulho sediada na região e que me guiou em mergulhos memoráveis nas águas quentes de Simpson Harbour. Conheci e explorei os naufrágios de quatro Zeros, um Pete e diversos navios.

Também organizaram para mim um "Tour da II GM". Desta forma visitei museus, memoriais e sítios históricos. Um deles, na borda da jângal, era uma área de dispersão de um aeródromo japonês. Em uma depressão no terreno e perto de algumas crateras de bombas, jaziam os destroços de dois bombardeiros, possivelmente um Mitsubishi Ki-21 Sally e um Mitsubishi G4M Betty. Era um verdeiro ossuário de fuselagens, motores, torretas de armas, empenagens, etc. Algo impressionante. Alguns pedaços de asas estavam crivados de furos de balas, buracos de granadas de 20 mm e rasgados por estilhaços. Para estas visitas contei com dois eficientes guias: na água o Matheo e em terra o Steven. Esta jornada completa está no capítulo Rabaul do livro De Guadalcanal a Creta.
Que história!



Foto aérea de Rabaul e Simpson Harbour

Planta da cidade de Rabaul

Anteparo na fuselagem, possivelmente de um Betty

destroços do cockpit, possivelmente de um Sally

Meus eficientes guias da Kabaira Dive: Steven (e), Nestor, Mathew e o motorista

Os destroços estão em uma depressão na orla da selva

Navegando em Simpson Harbour

Possivelmente são destroços de dois bombardeiros japoneses: um Betty e um Sally

Fuselagem de seção redonda, em forma de charuto, típica do Betty

Nariz do Betty tomado pela vegetação

Estrutura do cockpit, possivelmente de um bombardeiro Sally

Motor radial

O guia Steven junto ao pedaço de uma asa

Interior da fuselagem

Pedaço da fuselagem com restos do anteparo interno

À esquerda da foto dá para ver um pedaço de uma das bolhas laterais do Betty

Em primeiro plano, um dos motores radiais

Visto de outro ângulo a estrutura do cockpit do bombardeiro



Esta história completa está no capítulo Rabaul do livro De Guadalcanal  a Creta. Reserve e recebe em casa o seu exemplar pelo e-mail  ulissess18@yahoo.com.br


segunda-feira, 2 de março de 2020

O TIGRE REAL DE LA GLEIZE - BÉLGICA




Olá amigos do Blog. Na cidadezinha de La Gleize, a cerca de 45 km a SE de Liége, Bélgica, se encontra, poderoso e ainda sinistro, um tanque Tigre II, também conhecido como Tigre Real. Permanece na frente do December 44 Museum - Battle of the Bulge, primoroso museu da batalha, e é o único Tigre do mundo que ocupa o seu lugar de combate, há 75 anos. Em 1945 ele foi trocado por uma garrafa de conhaque. Soldados americanos que faziam a limpeza da região, foram convencidos por uma dona de casa a deixarem o Tigre ali como um monumento. Para tanto, ela pagou com o conhaque. Já comentei esta história aqui no Face mas retorno a pedido de um amigo que quer saber mais sobre o Tigre de La Gleize.
Era um engenho colossal. Pesava quase 70 t, estava armado com um canhão de 88 mm capaz de perfurar 132 mm de blindagem a 2.000 m. A armadura frontal em ângulo do casco tinha 150 mm e a da torre, 180 mm. Um motor Maybach HL de 12 cilindros e 700 hp, produzia a velocidade fora de estrada de 19 km/h. Nada que os Aliados dispunham poderia igualar tamanho poder de fogo e proteção. Os alemães fabricaram 487 destes engenhos formidáveis, muito pouco para em 1944 mudar o destino da guerra terrestre.
Junto com as fotos do Tigre II de La Gleize, coloquei as imagens do meu King Tiger na escala 1/35, kit da Tamiya e um dos principais modelos da minha coleção de blindados alemães. Ele está sem as saias laterais que na realidade eram blindagens espaçadas contra foguetes de bazookas e recoberto com Zimmerit, uma espécie de cimento antimagnético que vinha de fábrica e destinava-se a impedir a aderência de minas ou cargas explosivas. Que história!



Trocado por uma garrafa de conhaque e hoje um extraordinário memorial

A roda dentada motriz, a blindagem espaçada e as rodas de apoio e rolamento

Lagartas generosas para distribuir as quase 70 t no terreno

Junção e solda entre a blindagem frontal (150 mm) e a lateral do casco (80 mm)

Projétil antitanque Aliado ainda cravado na blindagem

Outra cicatriz do campo de batalha na blindagem frontal

Os escapamentos do motor Maybach HL de 700 hp na traseira do Tigre

O poderoso Tigre II está na frente do museu December 44


Fogo de metralhadora na lateral

O Tigre II em 1945, avariado e sem combustível

O Tigre II em novembro de 2019, na frente do museu, restaurado, conservado e respeitado

O meu Tigre II na escala 1/35

Um kit simples da Tamiya

O longo tubo do canhão 88 mm  com 71 calibres de comprimento, capaz de perfurar uma blindagem de aço de 132 mm a 2.000 m