segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

NOVAMENTE O ALMIRANTE YAMAMOTO


Olá amigos do Blog. Com a morte do general Suleimani, lembrei de outro fato similar que aconteceu a 77 anos: o assassinato do almirante Yamamoto, abatido no seu avião por caças americanos quando em viagem de inspeção a bases japonesas. Já mencionei esta história por aqui. Entretanto, atendendo a vários pedidos e a recente morte de Suleimani, fizeram com que eu voltasse ao assunto.
Na função de Comandante da Frota Combinada, Isoruko Yamamoto conquistou o respeito e a admiração de seus homens. Ele não era apenas um almirante mas a personificação da Marinha Imperial japonesa durante a Guerra no Pacífico. Em abril de 1943, criptógrafos da US Navy decifraram uma mensagem japonesa, onde constava todos os detalhes da viagem. Em Guadalcanal foi apressadamente organizada uma operação de interceptação a ser executada por caças P-38 sobre a ilha de Bougainville. O almirante era pontual pois exatamente na altitude e horário já conhecidos, o bombardeiro Betty em que viajava foi atacado pelos caças americanos e abatido. 

Eu estava em Bougainville, Papua-Nova Guiné, e queria conhecer os destroços do avião de Yamamoto. Para tanto contratei guias que me levaram em uma corrida alucinada por estradas e trilhas medonhas. Foram 3 h de tensão em um Jeep Toyota, vadeando rios, subindo morros ou patinando no barro. Minha nossa, coisa de morrer de medo.
Ah, mas tinha mais. Penetramos em uma selva sinistra, gosmenta, úmida, provavelmente infestada de malária. Com a infeliz parceria de todos os insetos que o Criador colocou aqui nesta ilha, para voar pelos ares, pendurarem-se nas folhas ou flanar sobre o solo. E aí foi uma marcha forçada por mais de hora. Achei que não iria aguentar. Desidratado, crivado de espinhos e emaranhado em teias de aranha, pensei ter alcançado o limite físico e moral. Coisa que me aconteceu uma vez no Exército e outra quando mergulhei no naufrágio do submarino alemão U 701, na Carolina do Norte. Mesmo assim, consegui alcançar o local dos destroços e foi com imensurável emoção que trouxe este relato de lá. Esta jornada memorável está completa no livro De Guadalcanal a Creta. Que história!


Na parede lá em casa o Betty 323 em escala 1/48 do almirante Yamamoto

 Almirante Yamamoto

O guia número um

Tanque leve japonês que encontrei na orla da selva

Croqui da rota de voo do Betty de Yamamoto e local de queda. Na verdade eram dois bombardeiros. O outro, o 326, transportava o staff do almirante e também foi abatido


Também na beira da selva, encontrei um caça Zero

Guia número dois

Após uma hora de marcha na selva, começam a aparecer os destroços do avião

Posição do artilheiro de cauda que manejava um canhão de 20 mm

Interior do bombardeiro

Um dos motores com as pás da hélice cortadas pelos caçadores de relíquias

Abertura de uma das escotilhas bolha no lado  esquerdo do avião

O guia número três

Buraco de projétil .50

Pedaço maior da fuselagem na clareira

Eu estava no limite físico e moral

Mostrei a minha bandeira que estava na mochila e ele provocou grande interesse

Posição do artilheiro de cauda vista de outro ângulo

 Estrutura interna do bombardeiro com furo e rasgão de granada de 20 mm
A água terminou e foi preciso improvisar com refrigerante quente

Pás da hélice do outro motor também cortada pelos caçadores de relíquias

O motorista


cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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