segunda-feira, 2 de setembro de 2019

O ENCOURAÇADO ROMA


Olá amigos do Blog. Retorno à superfície. Estava em Veneza e entre algumas prioridades a serem visitadas, uma delas foi o Museo Storico Navale. Esta belíssima instituição da memória naval italiana tem um belo acervo e eu fiquei encantado com um modelo em escala 1/100 do encouraçado Roma. Era enorme, detalhado, real, enfim, um belíssimo navio. Entretanto o Roma tem uma história sinistra e emocionante. Navio da classe Vittorio Veneto, media de proa a popa 240 m e deslocava perto de 46.251 t. O armamento principal era constituído por 9 canhões de 381 mm alojados em 3 torres triplas e o secundário por 12 de 152 mm. Poderosa blindagem protegia as partes vitais de encouraçado. Quando do armistício da Itália com os Aliados, em Set 43, o Roma suspendeu e, junto com outras belonaves, rumou para o porto Aliado mais próximo. Esta operação foi descoberta pelos alemães que enviaram alguns bombardeiros Dornier 217 comandados pelo famoso major Bernhard Jope. Transportavam uma arma revolucionária que iria mudar para sempre a guerra aeronaval: a bomba guiada por rádio Fritz X. Mantendo-se fora do alcance do nutrido fogo antiaéreo dos navios italianos, Jope lançou e guiou vários destes engenhos diabólicos. O primeiro deles atingiu o infeliz navio, abriu caminho pela grossa blindagem, transpassou o casco e explodiu. O Roma avariado reduziu a velocidade. Alguns minutos depois, outra Fritz X penetrou as entranhas do encouraçado e alcançou um dos paióis. Ocorreu violenta explosão, o navio se partiu a meia nau e afundou sob um penacho de fumaça negra com 500 m de altura. Morreram com o navio 1.253 homens, inclusive o Comandante das Forças Navais italiana, almirante Carlo Bergamini.

O naufrágio do Roma foi localizado recentemente a 1.000 m de profundidade, a cerca de 30 km ao norte da ilha da Sardenha. Foi deixado em paz pois é uma sepultura submarina. Que história!
















cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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