sábado, 27 de julho de 2019

MERGULHO EM UM AICHI D3A VAL


Olá amigos do Blog. Estava em Guam, território insular americano e palco de feroz batalha durante a II Guerra Mundial. O meu objetivo era mergulhar no SMS Cormoran, cruzador auxiliar alemão afundado em 1917. Uma história fascinante mas que eu vou contar mais tarde. Pois bem, sabia do naufrágio de um bombardeiro de mergulho japonês Aichi D3A Val que dormitava nas profundezas de Apra Harbor. Este avião foi o carrasco da Royal Navy no Oceano Índico e o primeiro a atingir alvos americanos na Guerra no Pacífico, como Pearl Harbor e Base Aérea de Clark. Era armado com 3 metralhadoras de 7,7 mm, transportava uma bomba de 250 kg e 2 de 60 kg. Mesmo sendo isso um armamento relativamente leve, os Val mandaram para o fundo 16 navios americanos e Aliados, de destróier a porta-aviões. Tinha visto um destes bombardeiros, desmantelado, furado à bala, no National Museum of Pacific War, Fredericksburg, Texas. Estava ainda com a sua cor bege de camuflagem. Fiquei encantado com o avião. Há uma passagem no meu livro De Guadalcanal a Creta que gosto muito, o naufrágio do HMNZS Moa e o USS Kanawha atacados pelos Val: "Tudo fazia crer que naquele dia os bombardeiros de mergulho japoneses eram conduzidos por pilotos hábeis, intrépidos, fanatizados, que só soltavam a sua bomba quando lhes restavam apenas o espaço necessário para tornarem a subir, sem o risco de se esmagarem contra o alvo. Antes de ganharem altura, metralhavam tudo que nadava, boiava ou navegava na água".
Com o apoio da operadora ATM que disponibilizou só para mim, um talentoso guia, o Randy Bigbee, mergulhamos na posição assinalada por uma boia onde estava a aeronave, dentro de Apra Harbor, muito perto do quebra-mar, a 29 m de profundidade. O tempo estava bom, água calma e sem corrente Este avião tinha sido abatido em 1944. Vamos conferir as fotos e comentar cada uma com as legendas.

Mapa de Apra Harbor e seus naufrágios

O Pacífico fez jus ao nome nos recebendo sem ondas e corrente

O Aichi D3A Val que se encontra no National Museum of Pacific War, Fredericksburg, Texas

Val sobre Rabaul. Observem um dos freios aerodinâmicos sob a asa esquerda

Cauda de um Val em exposição no Pacific War Museum,  Guam

Freio sob a asa do bombardeiro

Asa, bordo de fuga com as dobradiças do flap e roda sem a carenagem

Trapézio destinado a desviar a bomba do disco da hélice quando lançada

Bordo de fuga da asa esquerda

Roda com restos do pneu

Assento do piloto

Aileron sem a cobertura de tecido

Motor radial Mitsubishi Kinsei de 14 cilindros

Hélice: uma das pás foi serrada por algum caçador de relíquias

Neutro sobre a asa esquerda

Com o meu guia Randy Bigfoot (e) logo após o mergulho no Val

Nossa homenagem ao Val. Após o mergulho subimos a bandeira  da Marinha Imperial japonesa
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sexta-feira, 19 de julho de 2019

O NAUFRÁGIO DO AKITSUSHIMA


Olá amigos do Blog. Um dos mergulhos mais emocionantes nas Filipinas é o naufrágio do Akitsushima, um navio realmente ímpar. Era o que se chamava nas marinhas de seaplane tender, uma embarcação de apoio, transporte e manutenção de hidroaviões. E os japoneses são típicos nestas coisas. O Akitsushima media de proa a popa cerca 115 m e tinha o deslocamento de quase 5.000 t. O que o tornava especial era uma área no convés de popa e um guindaste com capacidade de 35 toneladas destinados ao abrigo e operações de um enorme barco voador Kawanishi H8K Emily. Com mar calmo, o guindaste suspendia o quadrimotor colocando-o na água. Dali o avião decolava, realizava a sua missão de reconhecimento, salvamento ou ataque, retornava, amerissava e o guindaste resgatava o Emily colocando-o no seu espaço. O navio fornecia combustível, munição e manutenção para o avião e também alojamento para a tripulação. Isto aumentava muito o raio de ação do Emily na imensidão do Pacífico. O navio foi comissionado em 29 Abr 42 e em setembro deste mesmo ano, nas Shortlands, ao largo de Buka Island, foi acuado por algumas Fortalezas Voadoras. Bombardeado, por sorte, recebeu apenas avarias leves. Esteve presente em Truk Lagoon quando da Operação Granizo em 17 Fev 44 onde foi atingido por duas bombas de 250 kg. Só não afundou devido a sua robusta estrutura. Algum tempo depois, reparado, lançou ferros em Coron, Filipinas, onde foi novamente atacado, agora por bombardeiros Helldiver da US Navy em 24 Set 44. Ao que parece, uma bomba  atingiu o reservatório de gasolina de aviação na popa. Houve uma violenta explosão que quase cortou o tender e provocou o seu rápido naufrágio. O  Akitsushima é o único navio de guerra japonês afundado nas profundezas de Coron Bay. O barco voador Emily desapareceu.

O Akitsushima com o seu padrão de camuflagem próprio, o guindaste e o aerobote Emily




O enorme avião era suspenso pelo guindaste com capacidade para 35 t




Na base do guindaste um canhão antiaéreo Tipo 96 de 25 mm

O canhão AAe de 25 mm em montagem tripla foi muito comum na Guerra no Pacífico

A estrutura treliçada do guindaste tombada a bombordo sob o fundo de areia a 36 m

O navio esta deitado sobre seu costado de bombordo em um fundo de areia

Restos dos cabos do guindaste

A enorme polia que ficava na extremidade do guindaste (veja o croqui do naufrágio)


Sobre o convés diversos objetos não identificados

Junção do costado de boreste com o convés. A proa do Akitsushima aponta para 290º

Escotilha no costado de boreste

Pedaços de espias ainda enroladas

Espaço do imenso hélice na popa, rapinado há 40 anos. À direita o leme

Junto ao convés. A visibilidade não estava boa e havia uma corrente moderada

Croqui no naufrágio. Observem a polia na ponta do guindaste



Modelo em escala 1/700 para montar e pintar



Com o sapato de um marinheiro japonês esquecido na pressa em 1944

terça-feira, 2 de julho de 2019

USS NAUTILUS


Olá amigos do Blog. Tinha mergulhado e explorado o naufrágio do U 853, submarino alemão Tipo IX C/40 afundado em combate horas após o final da II Guerra Mundial ao largo de Block Island, Connecticut, nordeste dos Estados Unidos. Para tanto contei com o apoio da Atlantis Dive Charters, da cidadezinha de New London. Foi um mergulho arriscado, em água fria e escura, até encontrar o submarino a 38 m de profundidade. Nadar através daquele longo casco destroçado foi algo trágico e ao mesmo tempo fascinante. Ele era uma sepultura de guerra. Mas isto é outra história e mais tarde eu conto para todos vocês.

Ali perto, em Groton, nas margens do rio Thames, está o Submarine Force Library & Museum, museu que possui o maior acervo de artefatos submarinos do mundo e o único do gênero operado pela Marinha americana. A principal peça desta primorosa coleção é o USS Nautilus, fantástico navio, primeiro submarino de propulsão nuclear da História, lançado ao mar no dia 21 Jan 54 e agora um museu flutuante aberto a visitação. No dia 03 Ago 58, o Nautilus anunciou ao mundo estupefato que havia alcançado a latitude 90º Norte, isto é, o Polo Norte Geográfico, navegando submerso e através da energia nuclear. Após uma longa folha de serviços na US Navy, em 1985 o submarino virou museu. Toda esta aventura está em um capítulo do livro U Boats - Mergulhando na História, infelizmente esgotado na sua terceira e melhor edição. Quem tem um exemplar, saiba que possui agora um livro raro. Apesar dos inúmeros pedido, não há previsão do lançamento de uma 4ª publicação. Vamos ver algumas fotos?