sábado, 22 de abril de 2017

UM ZERO EMBORCADO

Estive recentemente realizando uma série de mergulhos nos naufrágios da II Guerra Mundial em Rabaul, Papua-Nova Guiné. Rabaul foi uma antiga base japonesa logística e operacional com um excelente porto natural, Simpson Harbour que nada mais é do que uma caldeira vulcânica alagada. Foi no centro desta caldeira, a 19 m de profundidade e com água a 30° C, que encontrei um caça Zero emborcado. A visibilidade não estava muito boa, no máximo 7 m. O caça tinha o cockpit, o cubo da hélice e uma ponta das asas enterrada na areia. O flap direito permanecia aberto a 45°. Ambos os canhões de 20 mm haviam desaparecido das asas. Era possível também observar o gancho de engate de porta-aviões e a roda da bequilha, ambos ainda nos seus alojamentos bem como o estribo onde o piloto colocava o pé para subir a bordo. O avião estava com as rodas recolhidas. Possivelmente os restos do piloto ainda estavam a bordo, transformando o Zero em uma sepultura submarina. Confiram as fotos.


O estribo do piloto

Flap a 45 graus

Gancho de porta-aviões recolhido no seu lugar

A roda da bequilha

O tecido do aileron foi consumido pelo tempo submerso

Roda esquerda e entrada de ar sob a capota do motor
Ponta da asa esquerda

Trem de aterrissagem e entrada de ar do motor por outro ângulo

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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