sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O ALMIRANTE YAMAMOTO

Estive recentemente visitando o National Museum of The Pacific War, instituição de memória sediada em Fredericksburg, Texas.
O museu é prodigioso, surpreendente, dotado de um rico acervo e primorosa expografia. Passei quatro dias no museu, observando detalhes, anotando fatos, conversando com os monitores, fotografando e descobrindo preciosidades nos seus expositores.
Um dos objetos de raro valor histórico que encontrei, foi um pedaço do bombardeiro Mitsubishi G4M Betty no qual o almirante Isoruko Yamamoto, comandante-chefe da Frota Combinada da Marinha Imperial japonesa  foi morto. O avião foi abatido por caças P-38 americanos sobre a Ilha Bougainville em 18 Abr 43 quando o almirante realizava uma inspeção pessoal das bases avançadas. Era um voo de Rabaul com destino a Ballale, pequena ilha ao sul de Bougainville.
Juntos, também dentro da mesma vitrine, estavam o mapa utilizado pelo tenente Rex Barber e a foto do tenente Ray Hine, único americano morto na missão.
Tudo começou quando os criptógrafos da Marinha americana, decifraram uma mensagem japonesa que indicava a data, hora e rota do voo de Yamamoto. Foi então rapidamente organizada a mais longa interceptação aérea da II Guerra Mundial quando 16 caças P-38 Lightning voaram de Guadalcanal a Bougainville, quase 2.000 Km entre ida e volta.
O almirante era pontual. Na hora prevista, 07h30min, os dois Betty conduzindo Yamamoto e seu estado maior, bem como nove caças Zero de escolta, foram atacados pelos P-38. Seguiu-se feroz combates aéreo e os tenentes Lamphier e Barber conseguiram abater os dois bombardeiros. Um, o do almirante, caiu em chamas na selva. O outro onde estava o vice-almirante Ugaki (sobreviveu a queda), chefe do Estado Maior da Frota Combinada, caiu no mar, nas proximidades da barreira de recifes. O tenente Hine foi derrubado ao lutar contra três Zero enfurecidos em um combate em carrossel. A maioria dos 15 Lightning que retornaram a Guadalcanal, estavam crivados de balas.
Um dia depois uma patrulha do Exército japonês conseguiu chegar até o local, em plena jungle. O corpo do almirante ainda estava preso no seu assento, projetado para fora do avião. Apertava o seu sabre entre as mãos. Morrera antes da queda pois foram encontrados buracos de balas na base do crânio e no ombro. Suas cinzas e o sabre foram levados à Tóquio para as exéquias solenes.
Yamamoto não era somente um almirante, era a personificação da Marinha Imperial japonesa.
Que história!



cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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