segunda-feira, 11 de julho de 2016

O SHERMAN DE PELELIU

Voltei recentemente de Palau, antiga base logística-operacional japonesa situada a leste das Filipinas, no Pacífico Ocidental. Este arquipélago foi duramente bombardeado pela aviação americana baseada em três porta-aviões da Força Tarefa 58 nos dias 30 e 31 Mar 44. Bombas e torpedos afundaram mais de 30 navios japoneses em volta das ilhas. Realizei 16 mergulhos emocionantes nestes naufrágios.
Mais ao sul do arquipélago está a Ilha Peleliu e ali, em 15 Set 44, ocorreu um avassalador desembarque americano. O objetivo principal desta operação era a tomada do campo de aviação da ilha. Seguiu-se uma brutal batalha que cobrou aos marines e soldados americanos pesadas baixas, tendo sido a guarnição japonesa exterminada na sua quase totalidade. Passei dois dias em Peleliu e pude contar com o apoio do Rowell, meu atilado guia filipino.
Levou-me por tudo: na selva, nas praias do desembarque, na pista de pouso, no cemitério japonês, nos memoriais, nos destroços de aviões e blindados, no museu, bunkers e cavernas. Um momento particularmente inesquecível, foi encontrar um tanque médio M 4 Sherman tombado no interior da selva. Uma cena muito triste. Parecia morto, desamparado, sozinho, abandonado na semi-escuridão da jungle. Impressionante. Havia também nas proximidades uma placa, com as graduações e nomes dos tripulantes que morreram quando o Sherman passou sobre uma mina  japonesa.
O fundo do tanque, mesmo protegido por uma blindagem de quase uma polegada, havia sido rasgado como se fosse lata. Este detalhe, bem como o tombamento das 32 t do M 4, como se fosse um automóvel, sugerem que a mina AC pode ter sido improvisada com uma bomba de aviação ou uma granada de artilharia de grosso calibre, engenhos bem mais potentes do que uma mina AC convencional. Este Sherman não pertencia aos marines, mas sim ao 710º Batalhão de Tanques da 81º Divisão de Infantaria do Exército americano.
Sozinho no interior da selva de Peleliu


Tombado pela ação da mina AC japonesa

A blindagem rasgada como se fosse lata

A placa nas proximidades

Com as graduações e os nomes dos tripulantes mortos

Metralhadora Browning .30 de proa ainda na sua esfera blindada
 
Escotilha do metralhador de vante

cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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