quarta-feira, 20 de julho de 2016

O NAVIO DOS CAPACETES - PALAU

Um dos mergulhos mais populares em Palau é o Helmet Wreck, também conhecido entre os mergulhadores como X 1 ou Depth Charge Wreck. Não há certeza até hoje qual seria o verdadeiro nome deste navio japonês, bombardeado e afundado por aviões americanos possivelmente durante a Operação Desecrate One em 30/31 Mar 44. O naufrágio foi descoberto em 1990 e poderá ser o cargueiro Nissho Maru Nº5, com cerca de 60 m de comprimento e deslocando quase 1.000 t. O naufrágio tem a sua popa a 15 m e a proa a 30 m de profundidade, estando no fundo na posição de navegação. Dois mastros ainda estão de pé e a chaminé jaz no fundo de areia perto do costado a boreste. Há um grande rombo na lateral do casco, também a boreste, junto ao porão Nº 3 bem no local onde a bomba atingiu o cargueiro.
Penetrando por este buraco, é possível observar dezenas de cargas de profundidade em desordem, cunhetes de madeira com as espoletas destas cargas, garrafas, máscaras contra gases, um fuzil Arizaka, um garrafão de cerâmica e outros objetos. Na popa está uma plataforma onde se encontra um canhão de 80 mm.
A grande vantagem deste naufrágio para os mergulhadores, é que situa-se a menos de 10 minutos de inflável das principais operadoras de Koror, a nordeste de Malakal Harbor.
Restos de um fuzil Arizaka

Uma das pilhas de capacetes de aço

Garrafão de cerâmica
Cargas de profundidade no porão 3
Penetrando o naufrágio
Retornando do interior do casario
Canhão na plataforma de popa

Cunhetes com garrafas, um tambor filtrante de máscara contra gases e espoletas das cargas de profundidade










terça-feira, 12 de julho de 2016

O CAPACETE DE SABURO SAKAI

O tenente Sakai foi um excepcional piloto de caça da Marinha Imperial japonesa, com 64 vitórias aéreas, sendo considerado o  maior ás do Japão sobrevivente a II Guerra Mundial.
É dele a maior façanha da aviação de caça de todos os tempos. Durante uma feroz batalha sobre Guadalcanal, após abater dois aviões  inimigos, avistou oito Wildcats em formação cerrada e os atacou pela retaguarda. Foi um grave erro de avaliação pois os aviões americanos não eram caças mas sim bombardeiros de mergulho Douglas SBD Dauntless, armados cada um com duas metralhadoras Browning .30 atirando para trás, e o pior, estavam na espera.
Apesar de conseguir derrubar dois dos Dauntless, teve o cockpit do seu caça Zero demolido a bala, ficando gravemente ferido na cabeça, cego do olho direito e com o lado esquerdo do corpo, braço e perna, paralisado.
Mesmo assim, alternando períodos de semiconsciência, sangramento, intensa dor, sonolência e cegueira, conseguiu voar mais de 1.000 km sozinho  sobre o Pacífico, de Guadalcanal a Rabaul, pousando o Zero em segurança.
Naquele dia havia ficado no ar mais de oito horas e conseguido retornar vivo a sua base levando duas balas .30 incrustadas no seu crânio. Minha nossa!

Tive a grata oportunidade de visitar recentemente o National Museum of The Pacific War, Fredericksburg, Texas. É um museu completo, com uma primorosa expografia e um valioso acervo que retrata a Guerra no Pacífico com notável veracidade.
Pois uma das peças mais valiosas que pude encontrar em um dos expositores foi o capacete de voo esburacado de Saburo Sakai, o mesmo utilizado nesta missão sobre Guadalcanal. Impressionante!
Caça Zero voando sobre o Pacífico

Saburo Sakai em 1998

Modelo em escala 1:6 do Sub Ten Sakai

National Museum of The Pacific War

Sakai e seu caça Zero

O capacete de voo furado em exposição no Museu

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O SHERMAN DE PELELIU

Voltei recentemente de Palau, antiga base logística-operacional japonesa situada a leste das Filipinas, no Pacífico Ocidental. Este arquipélago foi duramente bombardeado pela aviação americana baseada em três porta-aviões da Força Tarefa 58 nos dias 30 e 31 Mar 44. Bombas e torpedos afundaram mais de 30 navios japoneses em volta das ilhas. Realizei 16 mergulhos emocionantes nestes naufrágios.
Mais ao sul do arquipélago está a Ilha Peleliu e ali, em 15 Set 44, ocorreu um avassalador desembarque americano. O objetivo principal desta operação era a tomada do campo de aviação da ilha. Seguiu-se uma brutal batalha que cobrou aos marines e soldados americanos pesadas baixas, tendo sido a guarnição japonesa exterminada na sua quase totalidade. Passei dois dias em Peleliu e pude contar com o apoio do Rowell, meu atilado guia filipino.
Levou-me por tudo: na selva, nas praias do desembarque, na pista de pouso, no cemitério japonês, nos memoriais, nos destroços de aviões e blindados, no museu, bunkers e cavernas. Um momento particularmente inesquecível, foi encontrar um tanque médio M 4 Sherman tombado no interior da selva. Uma cena muito triste. Parecia morto, desamparado, sozinho, abandonado na semi-escuridão da jungle. Impressionante. Havia também nas proximidades uma placa, com as graduações e nomes dos tripulantes que morreram quando o Sherman passou sobre uma mina  japonesa.
O fundo do tanque, mesmo protegido por uma blindagem de quase uma polegada, havia sido rasgado como se fosse lata. Este detalhe, bem como o tombamento das 32 t do M 4, como se fosse um automóvel, sugerem que a mina AC pode ter sido improvisada com uma bomba de aviação ou uma granada de artilharia de grosso calibre, engenhos bem mais potentes do que uma mina AC convencional. Este Sherman não pertencia aos marines, mas sim ao 710º Batalhão de Tanques da 81º Divisão de Infantaria do Exército americano.
Sozinho no interior da selva de Peleliu


Tombado pela ação da mina AC japonesa

A blindagem rasgada como se fosse lata

A placa nas proximidades

Com as graduações e os nomes dos tripulantes mortos

Metralhadora Browning .30 de proa ainda na sua esfera blindada
 
Escotilha do metralhador de vante

terça-feira, 5 de julho de 2016

PALESTRA NO MUSEU DO COMANDO MILITAR DO SUL




No dia 23 de maios de 2016, dentro das atividades que marcavam o 17º aniversário do Museu Militar, tive a satisfação de ministrar a palestra Guadalcanal - Mergulho na Baia do Fundo de Ferro. O evento contou com a presença de um interessado público que lotou o auditório do Museu.