sexta-feira, 21 de outubro de 2016

OS IRMÃOS SULLIVAN


Conheci esta história ao visitar em 2008 o US Navy Museum, Washington DC. Soube depois de mais detalhes, ainda este ano, quando estive no excelente National Museum of the Pacific War, Fredericksburg, Texas, instituição de memória onde existe um espaço exclusivo para esta tragédia.
Os cinco irmãos Sullivan (Joseph, Francis Henry, Albert, Madison e George) integravam a tripulação do cruzador leve USS Juneau, navio novo, lançado ao mar em 25 Out 41 e que pertencia a classe Atlanta. O cruzador media 165 m de proa a popa, deslocando 8.470 t. Seu armamento principal era constituído por 16 canhões de 127 mm em torres duplas, escalonadas, sendo duas delas no convés, uma em cada bordo. O Juneau era veloz; conseguia alcançar mais de 32 kt em mar calmo e o cinturão blindado que protegia o seu casco da ameaça das minas e torpedos, variava de 28 a 171 mm de espessura.
O USS Juneau participou da Batalha Naval de Guadalcanal na noite de 13 Nov 42, um combate medonho, na escuridão, com os navios americanos e japoneses se massacrando com disparos a curta distância, à queima-bucha, na sinistra da Baía do Fundo de Ferro.
Na confusão, os destróier japonês Amatsukaze conseguiu acertar o Juneau no costado de bombordo, a meia-nau, com um temível torpedo Lança Longa.
Na manhã seguinte, com o término da batalha, o Juneau avariado, em companhia dos cruzadores USS San Francisco e USS Helena, também danificados, rumou para Espirito Santo. Os navios eram seguidos pelo submarino japonês I-26 que disparou dois torpedos contra o San Francisco. Ambos passaram inofensivamente à proa do cruzador, mas um deles, em um tiro de sorte, foi acertar no Juneau, exatamente na ferida do combate anterior. O navio então explodiu e cortado em dois, naufragou em 20 segundos. Impressionados pela concussão catastrófica que sugeria a inexistência de sobreviventes e tendo ainda a ameaça de um novo ataque de submarino, o San Francisco e o Helena se afastaram do local.
Mas havia sobreviventes, mais de 100, que ficaram à deriva no Pacífico durante oito dias, sendo dizimados pelos ferimentos, fome, sede e ataques de tubarões.
Dizem que dois, talvez três dos irmãos Sullivan, sobreviveram a explosão para morrer no mar. Dos 687 tripulantes do USS Juneau, somente 10 foram resgatados com vida. Os irmãos Sullivan nunca mais foram vistos.
Da esquerda para direita:Joseph, Francis Henry, Albert, Madison e George
Alleta Sullivan, a mãe dos irmãos

Memorial do cruzador na cidade de Juneau, Alaska

O USS Juneau com o padrão de camuflagem dissolutiva, cuja finalidade era ter a silhueta do navio modificada, dificultando a sua identificação


Desenho do cruzador visto a boreste

Carta de Alleta Sullivan à Marinha americana

Entrada do National Museum of The Pacific War

PARTICIPAÇÃO NO PADI DIVE FESTIVAL 2016


Estivemos presentes neste importante evento internacional de mergulho que foi realizado entre os dias 06 e 11 de outubro de 2016 no São Paulo Expo, com a palestra Guadalcanal: Mergulho na Baía do Fundo de Ferro  e também com a venda do livro De Truk a Narvik - Mergulhando na História. Podemos considerar o empreendimento um grande sucesso pois além de reencontrar velhos amigos da irmandade das profundezas, fazer novas amizades e ter o auditório com um excelente público para a palestra, vendemos 40 exemplares do livro em menos de três dias. Muito obrigado a todos.









sábado, 3 de setembro de 2016

O LIVRO CONTINUA UM SUCESSO

Tem tido uma excelente aceitação entre os adoradores de História Militar e os entusiastas do mergulho em naufrágio, o livro De Truk a Narvik - Mergulhando na História.
São 280 páginas e mais de 300 fotos com muitas histórias reais e emocionantes.
Receba seu exemplar em casa autografado pelo autor, por apenas R$ 49,00.
Faça seu pedido pelo e-mail: ulissess18@yahoo.com.br



Caro, Nestor.
Ao terminar de ler o teu livro, sinto que somos amigos de longa data. Gostaria de parabenizá-lo por ele, uma leitura prazerosíssima e contagiante, que mescla aventura com histórias de soldados e suas máquinas extraordinárias. Me senti fazendo parte dos mergulhos como teu dupla e também das visitas aos  museus como um velho parceiro de viagem. Quem sabe a gente não mergulhe junto algum dia? O meu interesse ficou mais aguçado por naufrágios e por toda a história militar que está no fundo do mar. Tudo isto é fascinante, homens e máquinas que fizeram esta história e que merecem o nosso respeito e admiração. Um forte abraço.

Ronaldo Ferraro
Advanced Open Water - SSI


terça-feira, 30 de agosto de 2016

20º ENCONTRO DE LÍDERES DE MERGULHO - NAUI

Estive presente neste importante evento que aconteceu na bela cidade de Jundiaí, São Paulo, no período de 23 a 28 de agosto de 2016, com a palestra Guadalcanal: Mergulho na Baía do Fundo de Ferro. Aproveitei também o momento para reencontrar velhos amigos da água, fazer novas e importantes amizades, bem como dispor de um lote de exemplares do livro De Truk a Narvik - Mergulhando na História, todos vendidos. Este encontro é um acontecimento internacional dedicado exclusivamente aos profissionais do mergulho e considerado o maior do gênero da América Latina. Nele ocorreram cursos de especializações, clínicas, ciclo de palestras  e exposição dos principais distribuidores de equipamentos de mergulho.
Início da palestra

Público adorador de mergulho em naufrágios e História Militar

Entre dois mergulhadores primorosos: Vicente e Kallas

Com o Douglas (e), Flávio e Isnei, da Azul Profundo e Piradivers

Com o Reinaldo da Acquanauta, entusiasta de Truk Lagoon
Diogo e o popular Jornada

Sessão de autógrafos com o Rodger e o Santana

Todos os livros vendidos. Com o Rodger e o Cipriano

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O ALMIRANTE YAMAMOTO

Estive recentemente visitando o National Museum of The Pacific War, instituição de memória sediada em Fredericksburg, Texas.
O museu é prodigioso, surpreendente, dotado de um rico acervo e primorosa expografia. Passei quatro dias no museu, observando detalhes, anotando fatos, conversando com os monitores, fotografando e descobrindo preciosidades nos seus expositores.
Um dos objetos de raro valor histórico que encontrei, foi um pedaço do bombardeiro Mitsubishi G4M Betty no qual o almirante Isoruko Yamamoto, comandante-chefe da Frota Combinada da Marinha Imperial japonesa  foi morto. O avião foi abatido por caças P-38 americanos sobre a Ilha Bougainville em 18 Abr 43 quando o almirante realizava uma inspeção pessoal das bases avançadas. Era um voo de Rabaul com destino a Ballale, pequena ilha ao sul de Bougainville.
Juntos, também dentro da mesma vitrine, estavam o mapa utilizado pelo tenente Rex Barber e a foto do tenente Ray Hine, único americano morto na missão.
Tudo começou quando os criptógrafos da Marinha americana, decifraram uma mensagem japonesa que indicava a data, hora e rota do voo de Yamamoto. Foi então rapidamente organizada a mais longa interceptação aérea da II Guerra Mundial quando 16 caças P-38 Lightning voaram de Guadalcanal a Bougainville, quase 2.000 Km entre ida e volta.
O almirante era pontual. Na hora prevista, 07h30min, os dois Betty conduzindo Yamamoto e seu estado maior, bem como nove caças Zero de escolta, foram atacados pelos P-38. Seguiu-se feroz combates aéreo e os tenentes Lamphier e Barber conseguiram abater os dois bombardeiros. Um, o do almirante, caiu em chamas na selva. O outro onde estava o vice-almirante Ugaki (sobreviveu a queda), chefe do Estado Maior da Frota Combinada, caiu no mar, nas proximidades da barreira de recifes. O tenente Hine foi derrubado ao lutar contra três Zero enfurecidos em um combate em carrossel. A maioria dos 15 Lightning que retornaram a Guadalcanal, estavam crivados de balas.
Um dia depois uma patrulha do Exército japonês conseguiu chegar até o local, em plena jungle. O corpo do almirante ainda estava preso no seu assento, projetado para fora do avião. Apertava o seu sabre entre as mãos. Morrera antes da queda pois foram encontrados buracos de balas na base do crânio e no ombro. Suas cinzas e o sabre foram levados à Tóquio para as exéquias solenes.
Yamamoto não era somente um almirante, era a personificação da Marinha Imperial japonesa.
Que história!



quarta-feira, 20 de julho de 2016

O NAVIO DOS CAPACETES - PALAU

Um dos mergulhos mais populares em Palau é o Helmet Wreck, também conhecido entre os mergulhadores como X 1 ou Depth Charge Wreck. Não há certeza até hoje qual seria o verdadeiro nome deste navio japonês, bombardeado e afundado por aviões americanos possivelmente durante a Operação Desecrate One em 30/31 Mar 44. O naufrágio foi descoberto em 1990 e poderá ser o cargueiro Nissho Maru Nº5, com cerca de 60 m de comprimento e deslocando quase 1.000 t. O naufrágio tem a sua popa a 15 m e a proa a 30 m de profundidade, estando no fundo na posição de navegação. Dois mastros ainda estão de pé e a chaminé jaz no fundo de areia perto do costado a boreste. Há um grande rombo na lateral do casco, também a boreste, junto ao porão Nº 3 bem no local onde a bomba atingiu o cargueiro.
Penetrando por este buraco, é possível observar dezenas de cargas de profundidade em desordem, cunhetes de madeira com as espoletas destas cargas, garrafas, máscaras contra gases, um fuzil Arizaka, um garrafão de cerâmica e outros objetos. Na popa está uma plataforma onde se encontra um canhão de 80 mm.
A grande vantagem deste naufrágio para os mergulhadores, é que situa-se a menos de 10 minutos de inflável das principais operadoras de Koror, a nordeste de Malakal Harbor.
Restos de um fuzil Arizaka

Uma das pilhas de capacetes de aço

Garrafão de cerâmica
Cargas de profundidade no porão 3
Penetrando o naufrágio
Retornando do interior do casario
Canhão na plataforma de popa

Cunhetes com garrafas, um tambor filtrante de máscara contra gases e espoletas das cargas de profundidade










terça-feira, 12 de julho de 2016

O CAPACETE DE SABURO SAKAI

O tenente Sakai foi um excepcional piloto de caça da Marinha Imperial japonesa, com 64 vitórias aéreas, sendo considerado o  maior ás do Japão sobrevivente a II Guerra Mundial.
É dele a maior façanha da aviação de caça de todos os tempos. Durante uma feroz batalha sobre Guadalcanal, após abater dois aviões  inimigos, avistou oito Wildcats em formação cerrada e os atacou pela retaguarda. Foi um grave erro de avaliação pois os aviões americanos não eram caças mas sim bombardeiros de mergulho Douglas SBD Dauntless, armados cada um com duas metralhadoras Browning .30 atirando para trás, e o pior, estavam na espera.
Apesar de conseguir derrubar dois dos Dauntless, teve o cockpit do seu caça Zero demolido a bala, ficando gravemente ferido na cabeça, cego do olho direito e com o lado esquerdo do corpo, braço e perna, paralisado.
Mesmo assim, alternando períodos de semiconsciência, sangramento, intensa dor, sonolência e cegueira, conseguiu voar mais de 1.000 km sozinho  sobre o Pacífico, de Guadalcanal a Rabaul, pousando o Zero em segurança.
Naquele dia havia ficado no ar mais de oito horas e conseguido retornar vivo a sua base levando duas balas .30 incrustadas no seu crânio. Minha nossa!

Tive a grata oportunidade de visitar recentemente o National Museum of The Pacific War, Fredericksburg, Texas. É um museu completo, com uma primorosa expografia e um valioso acervo que retrata a Guerra no Pacífico com notável veracidade.
Pois uma das peças mais valiosas que pude encontrar em um dos expositores foi o capacete de voo esburacado de Saburo Sakai, o mesmo utilizado nesta missão sobre Guadalcanal. Impressionante!
Caça Zero voando sobre o Pacífico

Saburo Sakai em 1998

Modelo em escala 1:6 do Sub Ten Sakai

National Museum of The Pacific War

Sakai e seu caça Zero

O capacete de voo furado em exposição no Museu

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O SHERMAN DE PELELIU

Voltei recentemente de Palau, antiga base logística-operacional japonesa situada a leste das Filipinas, no Pacífico Ocidental. Este arquipélago foi duramente bombardeado pela aviação americana baseada em três porta-aviões da Força Tarefa 58 nos dias 30 e 31 Mar 44. Bombas e torpedos afundaram mais de 30 navios japoneses em volta das ilhas. Realizei 16 mergulhos emocionantes nestes naufrágios.
Mais ao sul do arquipélago está a Ilha Peleliu e ali, em 15 Set 44, ocorreu um avassalador desembarque americano. O objetivo principal desta operação era a tomada do campo de aviação da ilha. Seguiu-se uma brutal batalha que cobrou aos marines e soldados americanos pesadas baixas, tendo sido a guarnição japonesa exterminada na sua quase totalidade. Passei dois dias em Peleliu e pude contar com o apoio do Rowell, meu atilado guia filipino.
Levou-me por tudo: na selva, nas praias do desembarque, na pista de pouso, no cemitério japonês, nos memoriais, nos destroços de aviões e blindados, no museu, bunkers e cavernas. Um momento particularmente inesquecível, foi encontrar um tanque médio M 4 Sherman tombado no interior da selva. Uma cena muito triste. Parecia morto, desamparado, sozinho, abandonado na semi-escuridão da jungle. Impressionante. Havia também nas proximidades uma placa, com as graduações e nomes dos tripulantes que morreram quando o Sherman passou sobre uma mina  japonesa.
O fundo do tanque, mesmo protegido por uma blindagem de quase uma polegada, havia sido rasgado como se fosse lata. Este detalhe, bem como o tombamento das 32 t do M 4, como se fosse um automóvel, sugerem que a mina AC pode ter sido improvisada com uma bomba de aviação ou uma granada de artilharia de grosso calibre, engenhos bem mais potentes do que uma mina AC convencional. Este Sherman não pertencia aos marines, mas sim ao 710º Batalhão de Tanques da 81º Divisão de Infantaria do Exército americano.
Sozinho no interior da selva de Peleliu


Tombado pela ação da mina AC japonesa

A blindagem rasgada como se fosse lata

A placa nas proximidades

Com as graduações e os nomes dos tripulantes mortos

Metralhadora Browning .30 de proa ainda na sua esfera blindada
 
Escotilha do metralhador de vante