quinta-feira, 1 de julho de 2010

SOBRE O AUTOR

Uma boa lembrança que ainda perdura na  memória, é a história sobre o encouraçado-de-bolso Admiral Graf Spee, contada à exaustão por minha mãe. Ela costumava até a cantarolar para mim uma marchinha do Carnaval de 1940. Enfeitada com  uma rima forçada e o refrão era: “ Sou marinheiro do Graf Spêêêê”. Ela tinha vivido aquele tempo, eu era muito pequeno, e ali começava o gosto pela História Militar. Depois apareceu a série na televisão Aventura Submarina, onde o ator Lloid Bridges personificava o herói mergulhador Mike Nelson, no início dos anos 60, bem antes de Cousteau. Pronto. Bala na mosca! Todo guri queria ser mergulhador!

Foi por esta época que comecei a ter um interesse especial pela Batalha do Atlântico e as operações de combate dos U Boats, os submarinos alemães, nesta que é considerada a mais longa batalha da II Guerra Mundial. Tão extensa que alguns autores consideram-na como campanha

Os U Boats foram a mais letal arma da Alemanha e por muito pouco não derrotaram a Inglaterra, modificando o desenlace da II Guerra Mundial. E, quando a maré do conflito mudou, nunca na história de todas as guerras desta pobre Humanidade, uma força militar sofreu tal percentual de baixas e continuou lutando tenazmente, ameaçando e retendo imensos recursos humanos e materiais dos Aliados, isto até o fim.

Foi então que eu senti. Estava definitivamente fascinado pela história da guerra dos U Boats, das suas façanhas e dos homens destemidos que, mesmo por uma causa errada, haviam lutado sob as ondas como ninguém jamais o fizera. Que história.

Ah, ser mergulhador? Bem, aconteceu muito tempo depois e como foi difícil para mim!

Tinha sido convidado por dois colegas do Exército para realizar um curso básico de mergulho. Não aceitei, pois não sabia nadar (não sei até hoje) e, consequentemente, tinha medo da água. Matriculado à força, fui chantageado a continuar em aula, sob pena de que a minha covardia fosse tornada pública no quartel. E foi duro, um verdadeiro martírio. Era o pateta da turma, o cara que agarrava o cinto de lastro pela fivela ou aquele que andava com a máscara na testa. O infeliz que estourava o o-ring ao desatarraxar o primeiro estágio do cilindro sem despressurizar o circuito. Um desastre total, quer na água da piscina ou fora dela. Era o Patinho Feio da turma, como havia sido rotulado por um impaciente e irritado monitor. Que coisa triste!

Mas o Patinho Feio era um cisne e não sabia. E aí deu o estalo, caiu ficha, já quase no final do curso. Assim consegui com mérito a minha certificação CMAS. Mesmo sem saber nadar, havia descoberto ter um talento...hummm...digamos...subaquático, à semelhança de uma foca feliz. Entretanto, posso afirmar com certeza, ser mergulhador foi a tarefa mais árdua de toda a minha vida.

         
                    
     

Nestor Antunes de Magalhães é 2° tenente R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, mergulhador CMAS duas estrelas com seis especializações (Noturno, Naufrágio, Orientação, Nitrox, Roupa Seca e Salvatagem.  Submarinista Honorário da Marinha do Brasil, Medalha Mérito Tamandaré e autor dos livros U Boats, De Truk a Narvik e De Guadalcanal a Creta - Mergulhando na História. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda a costa brasileira, destacando entre outros, a participação em uma expedição exploratória nos naufrágios do Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios da Costa Leste americana, México, Mar Negro, Golfo de Biscaia, Costa Norte de Portugal, Grécia, Truk Lagoon, Havaí, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Scapa Flow, Ilha Hakoy, Narvik, Guadalcanal, Malta, Palau, Croácia, Normandia, Rabaul, Vanuatu, Coron e Guam.




cavaleirodasprofundezas@gmail.com

Nestor Antunes de Magalhães é 2º Ten R/1 do Exército Brasileiro, tendo servido os nove últimos anos de sua vida profissional no Museu do Comando Militar do Sul, Porto Alegre. É membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), mergulhador CMAS** com quatro especializações, Submarinista Honorário da Marinha do Brasil e recebeu a Medalha do Mérito Tamandaré. Mergulhou em inúmeros naufrágios por toda costa brasileira, destacando, entre outros, a participação em uma expedição exploratória no Parcel de Manuel Luís, Maranhão. Também mergulhou em naufrágios de Truk Lagoon, Hawaii, Golfo de Suez, Golfo de Aqaba, Estreito de Tiran, Estreito de Gubal e Mar Vermelho.

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