quarta-feira, 1 de julho de 2015

LIVROS

Colher histórias de guerra nas profundezas oceânicas é o que move o tenente reformado do Exército Nestor Antunes de Magalhães. Ele acaba de lançar sua segunda obra sobre tesouros, naufrágios e vestígios de guerra. De Truk a Narvik — Mergulhando na História é um apanhado de aventuras reais sobre as excursões submarinas feitas em busca de restos de batalhas navais.

Foi durante o tempo como subtenente do Exército que aprendeu a mergulhar — matriculado à força por dois colegas, em 1992. De lá para cá, Nestor transformou-se em um farejador de aventuras submarinas.

— Gosto da sensação de gravidade zero — define.

Na última década, quando reuniu as histórias das viagens relatadas no livro, fez cerca de 200 mergulhos e visitou mais de 15 destinos turísticos para naufrágio — locais onde os mergulhadores podem ver e entrar em embarcações submersas. O ápice da trajetória de Nestor foi em Truk Lagoon — a Disneylândia para esse tipo de atividade.

Repleto de histórias militares, o arquipélago circundado por um anel de coral, com águas claras e quentes no Pacífico Ocidental, motiva centenas de mergulhadores a explorar o que sobrou da antiga base japonesa. Bombardeada à extinção pela Marinha dos EUA em 1944, ele abriga naufrágios de navios, aviões, tanques e caminhões. Também é possível achar ossos de marinheiros.

A colher com uma águia nazista impressa no cabo, coletada nos restos do naufrágio do encouraçado Tirpitz, um capacete de aço inglês encontrada nos destroços do porto Mulberry, na Normandia, e um vidro de remédio que estava em um camarote do vapor Itapagé, torpedeado em 1943 na costa de Alagoas, fazem parte de seu museu particular. Foi na tentativa de recolher um desses objetos, quando mergulhava no Golfo de Biscaia, na França, que Nestor viveu um de seus piores dramas no mundo subaquático.

— Estava mais afastado do grupo quando penetrei na sala de controle do submarino alemão U-171. Queria encontrar um sextante ou um binóculo. Na hora de remover uma caixa, levantou uma lama negra que cobriu completamente a visibilidade, deixando a sala às escuras. Eu não podia encontrar a saída. Tive de aguardar um tempo para os sedimentos baixarem, a 38 metros de profundidade, enquanto se passavam os piores minutos da minha vida — relembra.

Livros, fotos e bandeiras do museu pessoal ilustram a paixão por história militar e mergulho. Dos dois filhos, nenhum quis dar sequência ao hobby. Enquanto o neto de quase um ano não pode mergulhar nas relíquias do avô, Nestor torce para que os leitores de De Truk a Narvik sejam tão curiosos quanto ele.