quarta-feira, 12 de agosto de 2020

CONTATO COM O AUTOR, COMENTÁRIOS, SUGESTÕES E COMPRA DE LIVROS: E-MAIL ULISSESS18@YAHOO.COM.BR

 Olá amigos do Blog. 

Lembro a todos que ainda tenho um lote de 79 livros de Guadalcanal a Creta - Mergulhando na História pelo preço unitário de R$62,00, incluído nesse valor a remessa postal. Reserve o seu exemplar pelo e-mail ulissess18@yahoo.com.br. Também por este canal estarei recebendo comentários e sugestões. Saudações.

                                                                  Nestor Magalhães 


   

                                                                Nestor Magalhães

NAVEGANDO NO NIPPON MARU II PARA PELELIU

 

Olá amigos do Blog. Estava em Palau, pequeno país insular da Micronésia, com 460 km² de superfície e formado por 8 ilhas principais. Durante a II Guerra Mundi Olá amigos do Blog. Estava em Palau, pequeno país insular da Micronésia, com 460 km² de superfície e formado por 8 ilhas principais. Durante a II Guerra Mundial, fora uma importante base logística-operacional japonesa.

Havia al, fora uma importante base logística-operacional japonesa.

Havia encerrado uma sequência de mergulhos em naufrágios de navios japoneses, sempre com apoio impecável da operadora Fish´n Fins. Desta forma, visitara os Navio dos Capacetes, Iro, Amatsu Maru, Chuyo Maru, Nagisan Maru, Gozan Maru e outros mais. Até um hidroavião japonês Aichi E1 3A Jake e um bombardeiro americano B-24. Que aventura!

Queria mais. Planejei então ir até a ilha de Peleliu, local a sudoeste de Palau e onde havia acontecido uma feroz batalha, talvez uma das mais sangrentas da Guerra no Pacífico. Os americanos acreditavam que iram conquistar a ilha em 4 dias, levaram mais de 2 meses. Tiveram que exterminar um por um todos os soldados do fanático e aguerrido Cel Kunio Nakagawa.

Para chegar a Peleliu deveria pegar o ferry, o Nippon Maru II, uma embarcação com cerca de 26 m, que partia de um cais na ilha Malakal. O Nippon atracou no cais com  3 horas de atraso e foi tomado de assalto por uma multidão de micronésios que quase me levaram de arrasto para bordo. Parecia que fugiam dos japoneses há 74 anos atrás. Observei o capitão, um tipo possante, de aspecto desmazelado, com cara de pirata chinês do século XVIII. Era cheio de autoridade. Só  faltava o sabre e a pistola enfiados na cintura.

Sentei a boreste, no costado junto ao cais, local onde tentava embarcar um senhor com mais de 70 anos totalmente embriagado. Tinha tomado todas. Trocava as pernas titubeante, e rodopiava entre o concreto e o costado do ferry. Poderia cair na fenda entre o casco e o cais e morrer esmagado. Não deu outra! Droga! Peguei-o pelo braço no momento exato da queda e foi direto para o convés. Mole e anestesiado, não se machucou, agradecendo com um bafo medonho e indo deitar em um banco perto da popa onde dormiu de imediato.

Era quase noite quando zarpamos. Fazia um calor delicioso e pude observar um crepúsculo avermelhado no Pacífico de rara beleza. Logo se fez noite e senti que o Nippon navegava muito rápido. Bem, o pirata chinês devia saber o que fazia. Conhecia de cor esta rota, pensei.

-- Rooooffff bruuummmmm!!! O ferry vibrou de proa a popa em um estrépito pavoroso. Um solavanco de dar medo.

Maldição, batemos em alguma coisa! E de imediato começou uma gritaria entre os passageiros, algumas crianças e mulheres chorando. Somente o ancião bêbado estava bem, dormia a sono solto. Roncando de boca aberta, lá na popa. Lembrei do Príncipe de Astúrias, navio espanhol que afundou em 1916 ao largo de Ilhabela. Um pavoroso naufrágio.

Durante 15 minutos a tripulação do ferry manobrou a embarcação para escapar do enrosco de coral. Toda a força à frente, toda a força à ré. Achei que o casco não iria resistir ao coral afiado, mas nos safamos.

Chegamos no porto de Peleliu tarde da noite. Foi um alívio. No que o ferry encostou, o bêbado acordou e vendo o nervosismo dos passageiros, veio perguntar para mim o que havia acontecido. Que história!

Este relato está completo no capítulo 5 do livro De Guadalcanal a Creta. Reserve o seu exemplar pelo e-mail ulissess18@yahoo.com.br

                                  A llha Peleliu ficava a sudoeste em Palau



                                                      Mapa do desembarque americano



                           O Nippon Maru II no cais da ilha Malakal, Palau

 

 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

O CAPACETE M 40 DE STALINGRADO


Olá amigos do Blog. Estava em Volgogrado, antiga cidade de Stalin ou...Stalingrado. Para alguns autores, local onde ocorreu a mais terrível batalha da história da Humanidade e o ponto de inflexão do desenlace da II Guerra Mundial. Havia embarcado em Moscou, num velhusco e meio comunista trem. Foram 20 horas de viagem através de uma planície interminável, monótona, colossal. Lembrei do livro de Otto Skorzeny onde ele descreve a alma russa: “...é profunda, variável e espantosa. Exatamente igual às suas imensas estepes, aos seus gigantescos rios, às inclemências do seu clima e a angustiante visão das suas paisagens.”
Fui recebido na estação pelo meu amigo Marcílio Dias, Suboficial da Reserva da FAB e sua esposa russa Inga. Ambos moravam na cidade e foram prestimosos guias durante o período que fiquei por lá. Visitamos diversos museus, sítios históricos, monumentos e memoriais. Graças a eles, molhei minhas mãos no Volga, caminhei pela terra parda e plana onde manobrou o 4º Exército Panzer e combateu em 1942, o 6º Exército de Paulus. Uma imersão total, emocionante e extraordinária na História.
Mas buscava um “gran finale”. Queria um capacete de aço alemão, um icônico Stahlhelm, uma apreciada relíquia de guerra. O Marcílio me levou a um mercado. Havia de tudo ali. De peças de trator a caviar. Vi em uma gaiola um coelho gigantesco, como o coelho do conto As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. O pobre animal ocupava toda a gaiola. Para ser simpático, elogiei o coelho para o vendedor, um tipo possante, cabelo cortado à máquina, muito curto e com cara de vilão de filme do 007.
- É para comer! Respondeu ele com um resmungo.
O meu guia, muito esperto e fluente em russo, descobriu logo uma barraca onde poderia conseguir o capacete. Não tinha, mas o barraqueiro, um garimpeiro de campo de batalha, prometeu trazer um capacete no dia seguinte, o quê de fato ocorreu. Paguei 700 Rublos pela relíquia. Era um capacete de aço M 40, enferrujado, ainda com restos da tinta verde, pedaços de couro da carneira e um punhado da terra negra de Stalingrado. Hoje este capacete é a principal e mais valiosa peça da minha coleção. Que história!

Esta jornada completa está no livro U Boats.


Capacete alemão M 40


sábado, 18 de julho de 2020

MERGULHO COM TUBARÕES EM TRUK LAGOON

Olá amigos do Blog. Continuava em Truk Lagoon, a Capital Mundial dos Naufrágios. Como todos vocês já sabem, neste arquipélago paradisíaco, existia uma poderosa base japonesa durante a II Guerra Mundial. Ela foi bombardeada à extinção por um enxame de quase 500 aviões americanos, baseados em 9 porta-aviões. Era a Operação Chuva de Granizo e aconteceu nos dias 17 e 18 Fev 44. Foi algo devastador. Mandaram para o fundo da laguna 12 belonaves e 32 mercantes. Também 275 aeronaves japonesas foram destruídas, a maioria no solo. Truk ficou fora de combate pelo resto da guerra.
Havíamos mergulhado com nossos guias na véspera, nos naufrágios do San Francisco Maru e em um torpedeiro Kate. O próximo mergulho seria diferente. O capitão Higgs fez um rápido briefing e nos informou que ocorreria entre tubarões. Não acreditei muito pois até então não tinha visto nenhum destes peixes.
Alcançamos o fundo com 26 m. O assoalho marinho era arenoso, com blocos de coral espaçados e algumas cabeleiras de algas, ali e acolá. Existia muita vida marinha e alguns minutos depois começaram a aparecer tubarões. Não havia nada de especial naquele local mas surgiam cada vez mais tubarões, de todos os tamanhos, que giravam continuamente em sentido horário. Passavam muito perto da gente. Nosso guia, Dança com Lobos, colocou uma cabeça de peixe em um pequeno saco de lona que, positivo e preso a um lastro, foi atacado diversas vezes. Interessante. Quando o tubarão mordia o saco e sacudia a cabeça como um cachorro, fechava os olhos através de uma pálpebra horizontal. Vi isto na minha frente, muito perto mesmo. Minha nossa!
A temperatura da água era de 29 ºC, a visibilidade de 25 m e quando atingimos os 34 min de tempo de fundo, Dança com Lobos determinou o fim do mergulho. Antes, pegou um espeto sem cabo, uma tira de borracha que presa ao polegar e esticada, virou um improvisado arpão.
Por sinais disse que iria caçar seu almoço. Apontou então e disparou o espeto que foi cravar em um infeliz e colorido peixe. O bicho estrebuchando e largando sangue me deixou muito preocupado e foi uma subida angustiosa, sempre olhando para baixo e para trás. Bem devagarinho...Que história!

Esta jornada completa está no livro De Truk a Narvik.


Começaram a aparecer os tubarões, vindos de todas as direções

O saco de lona com a isca

Vinham também por cima

Pelos lados

Entre os corais

Não havia nada de especial naquele lugar

Este era grande e veio reto na minha direção

Passou junto

Um fundo arenoso e com alguns blocos de coral, nada de especial

Animais elegantes

Entre os mergulhadores

Dança com Lobos, o nosso guia, prepara a isca no saco

Um mergulho memorável
Algumas fotos sub foram tiradas pelos meus duplas, o Luís Mota e o Patrick McGreth

sábado, 11 de julho de 2020

CONTATO COM O AUTOR VIA E-MAIL

Olá amigos do Blog. Para comentários, observações ou compra do livro De Guadalcanal a Creta - Mergulhando na História, utilizem o e-mail  ulissess18@yahoo.com.br. Um abraço a todos. Nestor Magalhães 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

REMEMBER MUSEUM 39-45 - THIMISTER-CLERMONT

Olá amigos do Blog. Estava em Thimister-Clermont, Bélgica, para conhecer o Remember Museum 39-45. Ele foi um projeto de Marcel e Mathilde Schmetz que surgiu em 1991, mas só foi inaugurado, com a presença de 17 veteranos do Dia D, em 12 Jun 94. Marcel tinha 7 anos quando da invasão alemã à Bélgica e viveu intensamente para contar aqueles dias sombrios da ocupação.
Visitando o museu que ocupa um antigo celeiro, com um tanque Sherman fulminado por um Panzerfaust na frente, me fez lembrar o Museu de Guerra de Askifou, Creta. Como neste, há uma aparente confusão na expografia, mas o acervo é valioso e interessante. E ali está presente também o talento de Marcel que construiu uma bomba voadora V-1 e um caça-tanques M 10, réplicas perfeitas na escala 1/1.
Uma boa parte do material que está em exposição foi deixado pela 1ª Divisão de Infantaria americana que ocupou a região quando da Batalha do Bulge. O museu está situado a 3 km do Cemitério Militar Americano de Henri-Chapelle, local onde estão sepultados 7.992 soldados. As visitas guiadas em francês, holandês, alemão, inglês e valão ocorrem todo o primeiro domingo de cada mês, exceto Dez, Jan e Fev. Que história!

























quinta-feira, 2 de julho de 2020

LORD KITCHENER E O NAUFRÁGIO DO HMS HAMPSHIRE



Olá amigos do Blog. Estava em Stromness, pequena vila de pedra às margens de Scapa Flow, Ilhas Orkney. Havia mergulhado e explorado os naufrágios de 3 encouraçados e 4 cruzadores alemães, no fundo da baía desde 1919. Mas Scapa tinha muita mais História.

A primeira foto desse artigo é a do marechal de campo Horatio Herbert Kitchener, imagem que todos reconhecemos através de um expressivo cartaz de recrutamento. Conhecido como lorde Kitchener, era um herói nacional, de enorme prestígio naquele início de século XX na Inglaterra. Combatera no Sudão e também na Guerra dos Boeres. Em 1914 tornou-se Secretário de Estado da Guerra.
No dia 05 Jun 16, Kitchener partiu de Scapa Flow a bordo do cruzador HMS Hampshire, embarcação com 144 m de comprimento e deslocando cerca de 11.000 t. Era uma missão secreta e ele iria se encontrar com o Czar Nicolau da Rússia em Arkangel, uma jornada de 1.649 milhas (3.053 km). Todavia, no caminho, ao norte das Ilhas Orkney, o HMS Hampshire topou com um campo de minas lançado pelo U 75, submarino alemão que estivera ali em operação de minagem no final de maio de 1916. Ao que parece, o U Boat lançou 22 minas e uma delas foi explodir na proa do cruzador. A maioria da tripulação se encontrava abaixo do convés e as escotilhas, devido ao mar encapelado, se encontravam fechadas. As luzes se apagaram e sem eletricidade não foi possível emitir nenhum sinal de socorro. Somente 14 tripulantes conseguiram alcançar a costa em extremis, nos rochedos de Marwick Head, 653 morreram. Lord Kitchener foi visto pela última vez, de pé, no convés.
Atualmente o HMS Hampshire dormita emborcado em fundo arenoso, perto de 60 m de profundidade e cerca de 1,5 milhas marítimas (2,77 km) da costa. O navio hoje é considerado uma sepultura de guerra. Mesmo assim mergulhadores já andaram por lá e um dos seus hélices foi resgatado em 1985.
Bem no topo de Marwick Head, com recursos da população das Ilhas Orkney, foi construído uma torre em 1926, um memorial para o velho lorde. Dizem que esta ponta rochosa foi a última imagem que Kitchener levou desta vida, daí a escolha do local.

Consegui um guia com carro para me levar lá. Negociamos no porto. O esperto queria 100 libras mas paguei menos. O carro não conseguiu subir a colina. Então fui a pé. Havia um chuvisqueiro gelado e um vento agudo que zunia nas arestas da torre. Um clima de filme de terror. E ainda existia o perigo de uma queda no penhasco que levava à praia, curta e rochosa. Um local muito triste, sinistro. Que história. 
Esta jornada completa está no livro De Truk a Narvik, atualmente esgotado.






Lord Kitchener em cartaz de recrutamento




Fotografia em exposição no Centro de Visitantes de Scapa Flow



O cruzador HMS Hampshire em um porto pouco antes de suspender

Stromness, uma graciosa vila de pedra

Tipos de submarinos lançadores de minas

A torre no topo de Marwick Head. Local muito triste

Marinheiros alemães com uma mina de ancoragem

Placa de pedra em um dos lados da torre

O cruzador emborcado a 60 m sobre fundo arenoso

O enorme hélice de bronze do HMS Hampshire resgatado em 1985

Placa junto ao hélice

Rochedos de Marwick Head. Dizem que foi a última imagem vista com vida por Kitchener